A corrida e a saúde mental - Testes da Massa

A corrida e a saúde mental

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Eu tenho uma penca de coisa pra falar aqui, mas antes de tudo isso eu queria falar sobre uma coisa incrível que eu descobri esse ano: A corrida.

Eu não quero ser a blogueira fitness, até porque eu não sou nem de perto esse perfil. Eu até diria que faço parte do perfil ‘como ter um corpo perfeito bebendo que nem um opala’, mas deixei isso de lado tem alguns meses.

Seria uma mentira descarada dizer que eu não entrei nessa por conta de peso: Nos últimos seis anos eu engordei 27 quilos, e apesar de não ter uma preocupação estética com o excesso de peso, esse número te surpreende e te dá um susto, a ponto de você querer fazer alguma coisa a respeito disso.

Mas não é de uma hora pra outra que a coisa muda: Fiz academia em alguns momentos da minha vida, mas como eu não via resultado nenhum eu não me motivava a ir, então eu acabava largando. Mas aí ouvi um conselho: É mais fácil você fazer uma atividade física que te agrade do que fazer academia, e vendo um vídeo do Dráuzio Varella sobre corrida eu cogitei correr. Mas passei um bom tempo só cogitando. Arrumei vários motivos pra adiar o meu começo, e olhando pra trás vejo que aqueles motivos eram uma grande bobagem e serviam pra disfarçar uma coisa que eu nunca notei que tinha: Bloqueio mental.

Até então eu nunca tive nenhuma dificuldade de me expressar em público e nem de me expor, e foi muito estranho descobrir esse bloqueio mental. A minha trava era tão grande que eu não queria correr só com shorts de lycra, então eu fiz o absurdo de correr com um short jeans por cima. Eu não sabia absolutamente nada sobre corrida e não tinha método nenhum, então eu simplesmente tentei correr durante uma música que tocava no meu celular: Não aguentei nem quatro minutos. Segui só fazendo caminhadas leves e adiei um pouco mais a corrida.

Pouco tempo depois eu me mudei de bairro, um lugar onde tem muita gente que corre, e meu bloqueio mental diminuiu. Também procurei um aplicativo pra me ajudar a correr e no dia 16/04 comecei a fazer o treinamento de iniciante. Me lembro que aquele primeiro quilometro que eu corri foi o mais demorado e o mais difícil – mas foi o mais gratificante de se fazer. A partir daí meu bloqueio mental sumiu, a ponto de eu ser a maluca que sai correndo e cantando Xuxa no meio da chuva. O que também ajudou nesse processo foi comprar shorts de moletom na seção masculina, que são bem confortáveis pra correr e práticos porque tem bolsos (POR QUE ROUPA DE GINÁSTICA FEMININA NÃO TEM BOLSO?!).

A partir daquele momento foi um caminho sem volta: Corro três vezes por semana, e fico irritada quando não posso correr, como se fosse uma espécie de abstinência. E como você tem um objetivo também fica mais fácil de não cometer exageros durante a semana, o que tem vários benefícios. Como a corrida é algo que tem uma progressão rápida, você fica empolgado com o quão rápido ou quão bem você tá correndo. Com isso uma coisa interessante aconteceu: Eu parei de me importar com o peso e comecei a focar pura e simplesmente na minha evolução.

Meu parceiro de todas as horas

A corrida é muito generosa com os praticantes: Em troca do seu suor, ela te melhora em aspectos que você nem notava que precisava melhorar. Ela te convence que você pode sim fazer alguma coisa de bom do seu dia, e te ajuda a lidar melhor com os seus problemas – mesmo que nada esteja dando certo e você esteja frustrado e irritado, correr vai te ajudar a lidar com isso. Esse ano eu tive uma série de frustrações na faculdade, das que fazem você ter vontade de ficar deitada pra sempre e eu só notei o quão mal eu estava quando eu vi que não estava com vontade de correr (prometo que vou falar sobre isso em breve). Depois de uma semana assim eu me forcei a correr e consegui encarar melhor essas questões. Honestamente eu não sei se eu conseguiria lidar tão bem com isso se não fosse a corrida. Como diria o Dráuzio Varella: ‘Eu não consigo imaginar quem eu seria hoje se eu não tivesse começado a correr’
Minha primeira medalha de 10k

Carol Palhares

Pessoa multi facetada: Desenhista industrial, estudante de engenharia elétrica, dona de casa e sommelier de Brahma. Casada com a Mozão, colega de casa de vários gatos e prima do Palhares.